29/11/2010

Tribunal decide despejo da Associação de Músicos (ARCM)

A Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM) está em risco de ir para a rua, agora que o Tribunal Judicial de Faro emitiu, a 1 de Outubro, sentença de despejo das instalações de há 20 anos, “considerando não haver necessidade de julgamento e dando a razão ao senhorio”. Músicos contestam em tribunal e na rua. 

Assim, já no Sábado, 4 de Dezembro, a ARCM está a preparar um desfile pelas ruas de Faro para “dar visibilidade à real possibilidade de dezenas de projectos musicais, grupos de teatro, grupos de dança e outros projectos artísticos que se desenvolvem na sua sede, poderem ficar sem este espaço e serem obrigados a ficar na rua com todos o seus instrumentos musicais, equipamento sonoro ou material cénico”, anuncia a associação.

A concentração dos participantes terá lugar às 9h30 na sede da ARCM e o desfile percorrerá o centro da cidade, com passagem pelo Mercado Municipal, Teatro Lethes, Rua de Sto. António, terminando no Coreto do Jardim Manuel Bívar.

“Se os Músicos ficam sem casa, inevitavelmente Faro vai ficar sem música!”
A ARCM “apela a todos as associações, instituições e outras organizações com quem ao longo destes 20 anos tem mantido relações de amizade e parceria, que se façam representar nesta acção, que tragam elementos identificativos e que contribuam para que este seja um desfile representativo da dimensão e abrangência do trabalho desenvolvido”.

O apelo é também para “músicos, actores, dançarinos, que sabem melhor que ninguém o que representará em termos pessoais e colectivos, o fim de todos estes projectos”.

“Tragam o instrumento musical, ou outro elemento representativo da sua actividade artística, e que irão desfilar em silêncio porque :
A Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM) acolhe em 18 salas de ensaio, 31 bandas que juntam mais de 150 músicos de todos os estilos musicais e é já, juntamente com a sua sala de espectáculos, uma referência nacional.

Trata-se de uma “indispensável infraestrutura” que serve de espaço de apoio aos seus mais de 400 sócios, bem como a grupos de dança, teatro, colectivos de DJ’s e outras associações da cidade e do Algarve, que por falta de espaço próprio recorrem a esta para desenvolver as suas actividades.
A ação de despejo que põe em risco a continuidade deste projecto que, sem fins lucrativos, mas financeiramente auto-suficiente, que serve transversalmente a comunidade farense, a cultura da região e representa, nesta dimensão e abrangência, um exemplo único de associativismo que cria as condições necessárias à liberdade criativa e de expressão, salienta a ARCM.

Recorde-se que a ação de despejo foi interposta por um promotor imobiliário que pretende construir todo o quarteirão, com uma cércea superior a sete andares, desde a sede da associação,um armazém entretanto remodelado pelos músicos, atépróximo das casas térreas do antigo bairro da CP, passando pelo silo desativado e cujo processo se encontra em fase de apreciação na autarquia de Faro.

Segundo o comunicado da ARCM, a acção de despejo do Tribunal Judicial de Faro, desencadeada pelo actual senhorio, em 28 de Janeiro de 2010 foi contestada judicialmente pela ARCM em 9 de Março.
A 1 de Outubro, apenas 6 meses após a contestação, “o Tribunal Judicial de Faro emitiu a sentença, considerando que não havia necessidade de audiência de julgamento e dando a razão ao senhorio”.
Um processo, “meteórico” que segundo a ARCM, “apesar de demonstrar a celeridade com que a justiça parece começar a funcionar (o que abona a seu favor), deixa novamente a ARCM numa situação trágica tendo em conta que, apesar de bastantes esforços nesse sentido, ainda não há quaisquer garantias de um novo espaço para a continuidade deste projecto”.

Não concordando com os fundamentos da sentença, a ARCM recorreu da decisão do Tribunal Judicial de Faro para instância superior e, simultaneamente, vai dar início a uma série de acções fora de portas que têm como objetivo “alertar a população de Faro e da região sobre o trabalho desenvolvido ao longo de 20 anos que pode ter um fim a curto prazo, caso não seja encontrada uma solução para o realojamento definitivo”.

"observatório do algarve"

1 comentário:

Hugo disse...

Eu vou estar lá pelo Armindo que lutou tanto por esse espaço e o resto da malta